Criadores do Espírito Santo enfrentam insegurança jurídica e repetem drama vivido no Rio Grande do Sul

Os criadores do Espírito Santo vivem hoje um cenário preocupante de insegurança jurídica, marcado pela falta de informação, diálogo e orientação técnica por parte do poder público. A situação lembra, em muitos aspectos, o que foi enfrentado por criadores no Rio Grande do Sul durante os anos de 2022 e 2023.

Atualmente, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em conjunto com o IDAF, passou a criar regras baseadas em uma Instrução Normativa editada em 2017 — portanto, há quase nove anos. Após questionamentos de criadores e entidades representativas, essa normativa sofreu alterações feitas de forma apressada, incluindo mudanças em dispositivos ligados às transferências, que passaram para 35.

O ponto mais sensível, porém, diz respeito aos nascimentos. A norma estabelece um limite de 10 nascimentos por criador, prevendo autuação automática caso esse número seja ultrapassado. O problema é que, até o momento, nenhum criador recebeu orientação formal, notificação educativa ou procedimento administrativo prévio. Para agravar ainda mais a situação, todo esse controle está sendo realizado pelo IBAMA.

Na prática, isso evidencia uma contradição institucional: o Estado cria uma Instrução Normativa, mas não possui estrutura nem controle para executá-la, transferindo essa responsabilidade ao órgão federal.

O que diz a legislação

Do ponto de vista legal, qualquer nova Instrução Normativa — especialmente quando aplicada de forma retroativa ou após longo período sem revisão — exige a realização de chamada pública.

Essa chamada deve ser amplamente divulgada à sociedade civil organizada, permitindo participação, debate técnico e transparência no processo decisório.

Além disso, o órgão ambiental precisa manter cadastro atualizado das entidades representativas do setor e convocar um grupo de trabalho técnico, envolvendo servidores, especialistas e representantes dos criadores.

Outro ponto fundamental: ninguém pode ser autuado de forma retroativa por uma norma que passou a vigorar apenas neste ano. Tal prática fere princípios básicos do direito administrativo e ambiental.

FIC atua na defesa dos criadores capixabas

Diante desse cenário, criadores do Espírito Santo solicitaram apoio da FIC – Federação Internacional dos Criadores, por meio de seu presidente, Nelson Arrué, que possui ampla experiência jurídica e histórico de atuação em conflitos ambientais semelhantes em outros estados.

Nelson Arrué já iniciou articulações políticas e, por indicação, entrou em contato com um deputado estadual que assumiu o compromisso de conduzir essa pauta em parceria com a FIC. Paralelamente, o deputado federal Gilson Daniel também está atuando para apoiar os criadores.

Segundo Arrué, neste momento é estratégico contar com um deputado estadual à frente das negociações locais, evitando desgaste político desnecessário do deputado federal. Gilson Daniel seguirá atuando em duas frentes:

  • Em Brasília, junto ao IBAMA Central, onde são definidas diretrizes que impactam diretamente os criadores em todo o país;
  • E no Espírito Santo, participando das reuniões e do processo de transição institucional.

O objetivo central é preparar o caminho para uma nova lei ambiental, capaz de substituir Instruções Normativas frágeis, que hoje apenas penalizam a classe criadora sem trazer benefícios reais à conservação.

Agenda definida e cobrança por respeito

Nelson Arrué estará no Espírito Santo a partir do dia 11 de fevereiro, com agendas confirmadas também para o dia 12. Já está em organização, junto aos parlamentares, uma audiência direta com o governador, nos mesmos moldes do que foi realizado anteriormente no Rio Grande do Sul.

A mensagem dos criadores é clara:

Não é mais possível esperar por soluções pontuais ou promessas sazonais. Os criadores, junto com suas entidades representativas, merecem respeito, segurança jurídica e participação nas decisões. O fortalecimento da criação legal começa dentro da própria casa da criação.

Arrue destaca:

Não podemos mais admitir que entidades que se dizem representantes da classe se lembrem somente em épocas de eventos, pois nesta época tudo é interessante.

Criadores estão ajudando também todas as despesas, através de uma vaquinha virtual e quem quiser ajudar, basta acessar o link.

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