🦜 Moradora de Joinville reencontra seu papagaio após 27 anos de convivência
Teresinha de Fátima, de 68 anos, emocionou-se ao receber de volta seu companheiro de estimação após ação envolvendo fiscais do IBAMA e IMÃ
Joinville (SC) – Uma história de afeto, resistência e justiça ambiental com final feliz. Teresinha de Fátima, moradora da zona norte de Joinville e com 68 anos de idade, reencontrou seu papagaio de estimação após uma apreensão feita por fiscais do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do IMÃ (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina). A ação aconteceu após uma denúncia anônima, gerando grande comoção na comunidade local.
O papagaio, que vivia com Teresinha há 27 anos, foi levado durante uma fiscalização, mesmo sendo tratado como membro da família. “Ele canta comigo, fala o nome das pessoas e nunca viveu fora de casa. Quando o levaram, foi como perder um filho”, relatou a aposentada, com lágrimas nos olhos.
Determinada a lutar por seu direito, Teresinha apresentou laudos veterinários, fotos antigas, testemunhos de vizinhos e comprovantes de que a ave nunca foi capturada da natureza, mas criada desde pequena em ambiente doméstico. Com base nisso, a Justiça reconheceu o vínculo afetivo e o bem-estar do animal, determinando sua devolução.
Segundo especialistas, todo cidadão que comprovar que vive com seu papagaio há mais de 20 anos pode manter legalmente a ave, desde que apresente provas da criação doméstica e garanta condições adequadas de cuidado. Além disso, um animal que passou a vida inteira em ambiente familiar não pode ser simplesmente solto na natureza sem um plano de readaptação ambiental, que levaria no mínimo 10 meses de acompanhamento técnico e suporte financeiro.
No entanto, essa realidade está longe de ser comum nos centros de triagem do Brasil. Muitos CETAS (Centros de Triagem de Animais Silvestres), mantidos pelo IBAMA, enfrentam sérias dificuldades estruturais e financeiras. Há registros no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul de aves apreendidas que morreram por falta de alimentação e cuidados veterinários.
Inclusive, em Porto Alegre, funcionários do próprio IBAMA já recorreram à Federação de Criadores do Estado para conseguir, via doações de agropecuárias e criadores legalizados, ração e outros insumos básicos, diante da total falta de recursos disponíveis para alimentar os animais sob custódia. Em alguns períodos, o CETAS da capital gaúcha funcionou como um verdadeiro depósito de animais, sem estrutura para garantir o mínimo de bem-estar.
O caso de Teresinha reacende um importante debate: fiscalizar é necessário, mas com equilíbrio e sensibilidade. Não se pode tratar da mesma forma quem trafica animais e quem, por décadas, oferece amor e cuidados a uma ave que hoje não sobreviveria sozinha na natureza. A criação responsável, com registro, transparência e bem-estar, precisa ser vista como parte da solução – não do problema.

