Tudo Sobre a Ação Contra Nelson Arrué

🕊️ ENTREVISTA EXCLUSIVA

“A verdade vai prevalecer. O criador legal não é criminoso.”

Por Rafael Souza

Em meio a uma operação da Polícia Federal que causou repercussão nacional, o presidente da Federação Internacional dos Criadores (FIC), Nelson Arrué, rompe o silêncio. Em uma entrevista exclusiva, ele fala abertamente sobre sua trajetória na ornitofilia, explica detalhes da ação policial em sua residência, comenta conflitos com servidores públicos e denuncia o que chama de “perseguição institucional” contra quem luta pela criação legalizada de animais no Brasil.

🧔‍♂️ R.S. – De onde vem Nelson Arrué?

N.A. – “Sou criador — ou melhor, ex-criador amador — de Curiós e Trinca-Ferros e hoje comercial.

Nelson Arrué carrega uma relação profunda com a criação de aves desde a infância. Aos seis anos, em 1980, ganhou seu primeiro casal de Canários-da-terra, presente de um vizinho, o capitão reformado do Exército Eloi Brito — figura conhecida no bairro Glória, em Porto Alegre. Na casa dele, carinhosamente apelidada de “O Porão”, dezenas de criadores se reuniam para trocar experiências e aprender. Era uma época anterior ao IBAMA, quando a fiscalização ambiental ainda era feita pelo antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal).

Foi nesse ambiente de convivência, troca e paixão pelas aves que Arrué se formou como criador amador. Ao longo dos anos, assumiu papéis de liderança, culminando, em 2010, na fundação do Clube dos Criadores de Cachoeirinha (CPC-RS), que depois se transferiu para Canoas em outra gestão. Sua atuação destacada e comprometida o levou à fundação e  presidência da FEORS (Federação das Entidades Ornitofílicas do RS) 2018 a 2022 com a reeleição em 2022 onde em Dezembro de 2024 solicitou a sua saída para assumir a FIC. ( federação internacional dos criadores )

🏛️ R.S. – O que foi feito durante sua presidência na FEORS?

N.A. – “Foi um período de muito diálogo e enfrentamento junto a cobranças. Tínhamos que mostrar que o criador responsável não era inimigo do meio ambiente — e sim um aliado na preservação.”

Durante sua gestão na FEORS, Nelson promoveu uma reestruturação institucional e política que reposicionou a ornitologia gaúcha no cenário nacional.

Entre as principais conquistas:

  • Publicação da Instrução Normativa nº 04, articulada com diretores da FEORS, e o deputado Éric Lins junto com o chefe de gabinete, médico-veterinário Adriano Dornelles.
  • A norma ampliou direitos e trouxe segurança jurídica a centenas de criadores, já que no mandato anterior da gestão SEMA com o ex Dep. Viana  e secretário do meio ambiente na gestão a época, foi autorizada a publicação da  IN 07 que proibia a criação de bicudos e cardeais amarelos com o apoio dos técnicos e analistas ambientais da SEMA.
  • Projeto de Lei Estadual (2023) Redigido por Arrue e apresentado com apoio jurídico e político do Dep Clausmann. O texto está em tramitação na Assembleia Legislativa e visa regulamentar, em nível estadual, a criação legalizada de fauna silvestre em ambiente doméstico.
  • Inserção inédita da ornitofilia na Expointer, a maior feira agropecuária do Sul do Brasil, por meio de diálogo com o presidente da FEBRACO, Dr. Marcos Tang, levando a federação a se associar, com apoio fundamental de Rogério Oliveira — médico-veterinário, diretor da FEBRACO e considerado por Nelson seu “padrinho” institucional.

“Entreguei a FEORS com projetos, articulações e reconhecimento. Cabe a nova diretoria dar continuidade ao trabalho que foi feito

A entrada da FEORS na expointer era o grande sonho que poderia ter sido realizado em janeiro com o Nacional. Foram 04 anos de muito trabalho para o reconhecimento da sociedade e dos diretores das entidades como Farsul e demais, mas graças ao meu amigo particular Rogério Oliveira e o Presidente Dr. Marcos Lang o projeto foi concretizado e terá sua grandiosidade, pois antes o pessoal somente conhecia as aves domésticas e agora se farão conhecedor das silvestres, como Papagaios, Araras, Tucanos, Caturritas como os passeriforme Cardeal Azulão Trinca-Ferro Coleira e outros.

🔄 R.S. – Ainda atua na FEORS?

N.A. – “Me desliguei completamente da FEORS desde a operação  e me concentrei somente a FIC.” Depois que descobri que estavam intimando pessoas, só porque tinham contatos comigo, não falei com mais ninguém e me isolei neste momento para traçar planos para a FIC já que temos os campeonatos nacionais por mais de 10 estados.

Segundo Nelson, ao assumir a presidência da Federação Internacional dos Criadores, rompeu vínculos com a gestão anterior da FEORS. Inclusive, retirou de suas redes sociais nomes que estavam sendo indevidamente associados a ele, não podemos ter pessoas perseguidas mediante a esta farsa  deste circo que foi montado, me afastei de grandes amigos e de pessoas próximas a mim. “A FIC tem um projeto maior, nacional e internacional, que exige dedicação integral.”

🧩 R.S. – Incomodou alguém com essas conquistas?

N.A. – “Sim, incomodamos.”

Nelson afirma que os avanços em favor da legalidade, da organização e do diálogo institucional contrariam interesses instalados. “Infelizmente, quem lucra com o caos teme a ordem. E nós oferecemos organização, fiscalização, transparência.”

🚔 R.S. – Como foi a operação da Polícia Federal?

N.A. – “Foi uma surpresa. Eu estava em casa quando recebi os agentes da Polícia Federal e servidores do IBAMA vindos de Brasília.”

O mandado de busca e apreensão tinha como base uma suspeita ligada a anilhas. Durante a ação, foram apreendidos equipamentos como uma máquina de gravação de anilhas — que, segundo Nelson, era legal, estava cadastrada no Cadastro Técnico Federal (CTF) sob o CNPJ da empresa Anilhas Brazil Importadora e Exportadora Ltda.

Foram também encontradas dez anilhas do SISPASS, sendo que uma delas foi considerada “falsa” por um servidor do IBAMA — o qual, segundo Arrué, não é perito e fez um julgamento técnico sem competência legal. “Era uma anilha validade de uma ave que morreu após um resgate ambiental malsucedido no litoral, quando o criador  é suspenso e um pássaros vem a óbito a anilha não tem validade alguma já que o criador não tem acesso ao seu sistema e somente quem pode fazer o óbito no sistema e o funcionário do IBAMA ou até mesmo da SEMA, somente assim o pássaro sairá do seu sistema faúnistico

Mesmo com  flagrante incondicional e sem validade, Arrué foi detido por seis horas, sendo liberado após audiência de custódia. N.A “A juíza entendeu que não havia base legal para prisão e determinou minha soltura imediata.”

⚖️ R.S. – Foi indiciado?

N.A. – “Sim porque é  uma prerrogativa da delegada, ela fala o que ela quiser  o processo está no Ministério Público, que decidirá se há ou não fundamento. Estamos acompanhando para fazer jus a nossa defesa, porque acreditamos na justiça e no estado democrático de direito

Nelson afirma que muitas das acusações vêm sendo manipuladas por interesses políticos e que está tranquilo quanto à apuração dos fatos. “Quem não deve, não teme.”

🚨 R.S. – Houve conflitos com servidores públicos?

N.A. – “Sim, dois casos graves. Um com um servidor do IBAMA, outro com a SEMA.”

O servidor do IBAMA, segundo ele, já responde a processos por perseguição e abuso de autoridade. Um caso famoso foi a divulgação de uma falsa denúncia de abate de cervos no RS, que na verdade era manejo autorizado de fauna exótica, a SEMA e IBAMA. Fizeram um termo de cooperação em Julho de 2023 a Dezembro de 2023 para se fosse necessário o abate ou captura através de parceiros ou fazendeiros da região, mas não houve nenhum abate, em sua página da Facebook e Instagram o funcionário do IBAMA em Março de 2024 após o término do termo, começou a acusar o estado de liberar abate e sangria, colocando a foto do filme Bamby e colocando  a sociedade gaúcha contra os órgãos ambientais. Nelson Arrue colocou a foto do funcionário nas redes com a frase FAKE NEWS

O segundo episódio envolveu um servidor da SEMA que o ameaçou após Nelson denunciar a colega por invasão domiciliar a uma área rural,  Segundo ele, sem mandado, a funcionária entrou numa residência com idosos e embargou uma estufa de 15x50m² destinada a coelhos e que seria alterada e transformada em um criadouro comercial de Pacas, a fiscalização se dirigiu-se ao local após eu  fazer m vídeo no You Tube anunciando o empreendimento destaca Arrue.
N.A Não tive tempo nem de fazer o contrato de sociedade com o criador a ideia veio e saímos gravando anunciando que futuramente iríamos transformar em criadouro comercial, alguns dias a servidora apareceu com 2 viaturas da polícia militar a procura de carne de pacas adentrando dentro da residência onde moravam os pais do agricultor de 81 anos sua mãe e 90 anos seu pai, adentraram a procura de carne de paca e de caça, não achando nada ela se  dirigiu-se a estufa e embargou a obra que tinha sido construída para os coelhos pois nossa intensão era viajar a Minas Gerais e Mato Grosso para conhecer os recintos a animais junto ao manejo das pacas, não tivemos tempo e fomos autuados, mesmo sem nunca assinar ou receber qualquer intimação ou ter qualquer animal. Fiz a ocorrência e entreguei direto a secretaria que afastou ou transferiu a funcionária.

“Esse servidor colega da afastada em uma reunião na SEMA me indagou sobre a ocorrência e disse: ‘Vamos reverter isso e vamos te processar’. Uma ameaça explícita em plena reunião. O servidor foi o primeiro adentrar no meu apartamento no dia da ação, quando o pessoal da PF solicitou a presença da SEMA.

💬 R.S. – E a acusação de propina a um servidor?

N.A. – “É uma distorção absurda e falta de inteligência de quem conduziu tudo isso, mas sim entendemos como uma perseguição política e pessoal .”

Nelson relata que conhece  dois servidores do IBAMA há mais de 15 anos e que tem profunda admiração por eles , em especial a um a quem tem mais afinidade em diálogo “É um homem de bem, íntegro, servidor exemplar me incentivou a cursar  o direito. Nunca, jamais, ofereceria qualquer vantagem a alguém assim.” Isso foge do meu caráter e não é necessário, pois estudei e estudo, o direito e me tornei conhecedor da lei

Segundo ele, o que ocorreu foi um pedido para ajudar a vender instrumentos de medicina veterinária. “Fiz um contato com um amigo que é representante no RS, de itens veterinários. Ele ofereceu $ 8.000,00 de entrada e pagou o restante em 4 vezes, eu fui o intermediador para os dois amigos, de vender algo de sua propriedade. Se isso é propina receber o que é seu o Brasil todo dos trabalhadores de carteira assinada terão que ser presos e os desocupados soltos.

🖥️ R.S. – Teve acesso ao sistema do IBAMA. – “Nunca. Eu só entregava fisicamente documentos, sempre protocolei junto a um  funcionário a mais de duas décadas no IBAMA, no prédio central, pois frequento este local a 15 anos e ganhei alguns amigos de papo de futebol, sempre quando era baixa de anilhas eles mesmos atravessavam a rua e levavam para o servidor responsável, quando era para eu buscar as anilhas eu subia direto pelo elevador no quarto andar e pegava as anilhas com a procuração que já estava no IBAMA.

Nelson afirma que sua atuação era institucional. Levava pessoalmente notas fiscais e protocolos, como representante legal das entidades. “Jamais acessei o sistema do órgão.” Tinha que fazer tudo pelo IBAMA pois a SEMA não tinha servidor para dar conta e muitas vezes uma nota fiscal para entrar no sistema chegava a levar  10 meses ou até mais de ano, no IBAMA era feito em menos de 48 no sistema.

🏢 R.S. – Frequentava o IBAMA?

N.A. – “Sim,  quase diariamente ou no mínimo 3 vezes na semana, mas sempre dentro dos limites legais.”

Como representante de federação, participava de reuniões técnicas, acompanhava apreensões, orientava sobre espécies. “Tudo formal e dentro da lei.

🏢Sema X Ibama qual a diferença?

N.A – * Diferença gritante, pois no Ibama temos verdadeiros guerreiros com conhecimento de gestão de fauna administração e principalmente com conhecimento da fauna silvestres, sem contar com a atenção que todos tem com os animais, eles não tinham vergonha de te ligar e solicitar ajuda, fiz grandes amigos e aprendi muito com funcionários que lá ainda estão, dentre eles veterinários, biólogos. Sobre a Sema, enquanto tiverem dezenas de cargos Ccs a frente da fauna onde a cada quatro anos se desmonta com a saída do governador fica muito difícil, o órgão estadual hoje é programado para ter a disputa interna de partidos, além de se acharem os maiores conhecedores sem ter o conhecimento, junto a pessoas pobre de esprito por não saber escutar quem conhece, para mim apenas pessoas que não contribuem com o meio ambiente tornando o setor totalmente burocrático e a maior prova disto  são os criadores comerciais que ja ultrapassam 02 anos na espera de uma liberação para seus empreendimentos comerciais, muitos servidores esperam os documentos vencerem para solicitar novamente por estarem vencidos, mas porque eles mesmos deixaram vencer para dificultar a vida do criador..,   A SEMA não cumpre com sua palavra, aliás ninguém cumpre com sua palavra dentro do órgão.

💸 R.S. – Vendia aves para criadouros?

N.A. – “Se fosse verdade, eu estaria rico. Mas sigo estagiando em Direito e tocando minha empresa automotiva, já que na área administrativa com esta ação arruinaram meu trabalho. Fui muito prejudicado na SEMA, quando os documentos entravam e tinha meu nome na  procuração todos andavam, menos os meus, e aí começou outra guerras  comecei a fazer as denúncias pelas redes sociais  em lives que estão guardadas e serão apresentadas judicialmente.

Ele nega qualquer comércio irregular. Reforça que os CETAS não têm estrutura para cuidar das centenas de aves apreendidas e que, muitas vezes, criadores ajudam no cuidado. Em 2018, ele conseguiu da empresa MEGAZOO meia tonelada de ração — inclusive alimento para primatas — para doação a zoológicos.

“Criador responsável não lucra com sofrimento. Ele acolhe.”

🐦 R.S. – Os criadores podem ficar com essas aves?

N.A. – “Sim, a lei permite.”

Citando a Instrução Normativa nº 10/2011 do IBAMA, explica que criadores com manejo aprovado podem receber matrizes oriundas da natureza ou de apreensões.

⚖️ R.S. – A legislação ambiental brasileira é confusa?

N.A. – “Muito. E o maior prejudicado é o criador legalizado.”

Ele critica a má aplicação da Lei Complementar nº 140/2011, que deveria promover cooperação entre União, Estados e Municípios. “Virou uma guerra de competências. Cada órgão cria suas regras.”

Nelson relembra um episódio de 2021 em que o IBAMA solicitou a estrutura de um criadouro para abrigar papagaios e caturritas. Após a ajuda, o criadouro foi autuado pelo servidores da SEMA.  O responsável do IBAMA solicitou uma visita técnica no criadouro pelo servidor chefe do setor de biodiversidade da SEMA, Após uma vistoria ele autorizou o criadouro já comercial de exótico a ter as aves e se disponibilizou a autorizar ele a criar verbalmente. 30 dias após, ele foi exonerado  e o criador ficou sem a autorização para as aves silvestres e com uma multa feita por servidores da SEMA da área da fiscalização e por ajudar o IBAMA, até hoje o criador culpa o IBAMA por não autorizar, porque todos entendem que aves de bico torto é o IBAMA que autoriza.

. É esse o caos jurídico que ninguém vê.”

🔒 R.S. – E as anilhas? De quem é a responsabilidade?

N.A. – “Do órgão emissor. O criador apenas aplica e registra.”

Para ele, se houver erro, a apuração deve ocorrer na gestão pública. “São selos oficiais. O criador é usuário, não fabricante.”

🌍 R.S. – Quais os planos da FIC?

N.A. – “Queremos propor um novo marco legal ambiental.”

A Federação Internacional dos Criadores pretende apresentar uma proposta unificada de legislação ambiental em Brasília, com foco em segurança jurídica, valorização das entidades e incentivo à criação sustentável.

“Criador legalizado é parte da solução — nunca o problema. A ilegalidade nasce da omissão do Estado. Mas a verdade, cedo ou tarde, prevalece.”A maior burrada foi ter passado aos estados que não tem gente o suficiente e enche de cargos CCs sem o mínimo de conhecimento e abusam sobre uma carteira funcional

 

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